sábado, 14 de fevereiro de 2009

Artefato de desvio químico

Artefato de desvio químico


O artefato de desvio químico acontece quando os prótons na gordura serem mapeados erroneamente em relação à protons na água.
Devido ao fato de que a diferença na frequência de precessão entre prótons na água e na gordura ser muito pequena, o sinal de diferentes estruturas químicas pode ocupar diferentes posições na imagem, mesmo que os sinais se originem de uma mesma posição no espaço. Isto é conhecido como desvio químico.
Ele se manifesta com áreas de alto sinal onde a água e a gordura se sobrepõem, e áres de baixo sinal onde os prótons na gordura e na água se separam.
Pode ocorrer nos platôs vertebrais, gordura epidural, ligamento amarelo, tumores gordurosos e em estruturas que contenham líquido circundado por gordura (cistos).
Este artefato é mais evidente em aparelhos de alto campo magnético.

As possíveis soluções são: Mudar a direção da fase, usar supressão de gordura e/ou aumentar a largura de banda de radiofrequência.

desvio quim 2

Figura: Artefato de desvio químico: Imagem axial de RM de coxa. Repare na interface entre o músculo e a gordura subcutânea. Na coxa esquerda, em sua face interna, observa-se interface músculo-gordura com hipersinal (seta branca). Já na face externa (lateral) observa-se interface músculo-gordura com baixo sinal (seta preta).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Artefato de truncagem

Artefato de truncagem


O artefato de truncagem aparece como estriações paralelas, sendo mais visível em interfaces de tecido onde há uma mudança de sinal abrupta e bem definida.
Este artefato ocorre quando o número de passos de codificação de fase de alta resolução espacial é sub-amostrado, e desta forma, é incapaz de reproduzir de maneira verídica o detalhamento anatômico verdadeiro da imagem original.
A banda de alto ou baixo sinal que é produzida é conhecida como fenômeno de Gibb.
A sub-amostragem insuficiente se refere à amostragem obtida na direção da codificação de fase.
Na prática este artefato é mais comum na interface entre gordura e músculo e entre o LCR e a medula.
Na coluna este artefato pode simular uma seringomielia, atrofia da medula ou anormalidade do disco intervertebral.
No joelho pode simular uma lesão meniscal, ou uma alteração da espessura da cartilagem articular.

As possíveis soluções são: Usar matriz de 192 ou mais na direção da fase, diminuir o FOV e/ou mudar a direção da fase.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Artefatos por erro de protocolo

Artefatos por erro de protocolo


Os artefatos por erro de protocolo são: saturação, dobra, interferência de radiofrequência, shading e volume parcial.


Artefato de saturação


A saturação causa perda de sinal devido à sobreposição de cortes.
Quando imagens com diferentes obliquidades são feitas simultaneamente, certas porções de tecido vão ser excitadas simultaneamente, fazendo com que a porção de tecido sobreposta seja saturada, e com isso emita um sinal muito baixo.
São mais comumente observados em RM de coluna lombar.
As soluções são evitar a sobreposição dos cortes diminuindo a angulação entre os mesmos, e ativar uma função específica no aparelho que tem como função evitar este tipo de artefato.


Artefato de dobra (fold over ou wrap around)


Neste tipo de artefato, a anatomia fora do FOV (na direção da fase de codificação) é superimposta dentro do FOV. Esta área anatômica não incluída é dobrada para dentro do FOV, no lado oposto da imagem.

Dobra 1

As possíveis soluções são: mudar a direção de fase, aumentar o oversampling ou aumentar o FOV, sendo esta última opção a menos adequada.


Artefato de interferência de radiofrequência


As radiações eletromagnéticas externas podem induzir interferência na gravação ou no processamento das imagens, produzindo artefatos de interferência de RF, caracterizados por linhas paralelas curtas.
A maioria dos artefatos é vista como uma banda perpendicular à direção da frequencia de codificação.

Fontes de interferência:

Lâmpadas fluorescentes
Transmissão de rádio e TV
Descargas estáticas
Motores elétricos

Comumente estes artefatos ocorrem porque a porta da RM está aberta ou não está fechada de forma adequada, o que permite a entrada de RF externa.
Para evitar este tipo de artefato deve-se checar e consertar a fonte de interferência.


Artefato shading


Este tipo de artefato se caracteriza por perda progressiva de sinal de estruturas localizadas distantes das bobinas de superfície.
Estes artefatos ocorrem porque a intensidade de sinal de cada voxel de tecido é proporcional à força da RF naquele local.
Estes artefatos são prevenidos através do uso de uma bobina de superfície maior ou uma bobina que se “fecha”.

shading 2



Artefato de volume parcial


Este tipo de artefato ocorre quando os voxels são relativamente grandes em relação ao tamnho da estrutura analisada.
As soluções para este tipo de artefato são: Reduzir o FOV e/ou reduzir a espessura de corte.


volume parc 2

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

TOMOGRAFIA DE TÓRAX - SINDROME DE SJOGREN

TOMOGRAFIA DE TÓRAX - SINDROME DE SJOGREN


Todos os exames, independente do método, precisam ser realizados de forma direcionada, respondendo ás necessidades do médico solicitante.

A Sindrome de Sjogren é uma doença sistêmica, crônica, afetando mais comumente as mulheres (9:1) e de provável origem autoimune. Afeta principalmente as glândulas salivares e lacrimais levando ao clássico quadro de olhos secos (xeroftalmia) e boca seca (xerostomia). É comum a sua associação com doenças autoimunes como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica progressiva, esclerodermia, doença de Graves, dentre outras.

Nessa síndrome, as manifestações pulmonares são relativamente comuns e incluem: pneumonia linfocítica intersticial, pneumonia intersticial usual e pneumonia criptogênica organizada.

Assim, se o exame solicitado for uma tomografia de tórax e, no pedido médico ou no histórico do(a) paciente, houver uma referência a respeito da Sindrome de Sjogren , o protocolo de exame deve contemplar, sempre, os cortes de alta resolução. Esses cortes servem para demonstrar, de forma mais detalhada, a anatomia pulmonar, em especial do seu interstício que, como descrito acima, pode estar acometido nessa doença.

Entendem-se como cortes de alta resolução, aqueles obtidos com espessura de no máximo 1,5 mm (geralmente abaixo de 1,0mm). São utilizados, na maioria das vezes, “filtros” e “janelas” diferentes daqueles protocolados para estudos com cortes mais espessos e que devem ser ajustados para cada equipamento. Na maioria das vezes, é necessário adicionar aos cortes inspiratórios, alguns cortes realizados em expiração máxima.

Untitled1

Figura: Tomografia computadorizada de tórax com técnica de alta resolução em paciente com Síndrome de Sjogren e pneumonia intersticial linfocítica. As setas indicam nódulos, espessamentos intersticiais e os cistos de paredes finas. Radiographics. 2002;22:S151-S165

domingo, 25 de janeiro de 2009

Artefato de movimento

É o tipo mais comum de artefato.
Pode ser secundário a movimentação voluntária ou involuntária, respiração, deglutição, peristaltismo intestinal, pulsação arterial ou cardíaca, e fluxo liquórico



Movimentação voluntária ou involuntária

É mais comum em crianças e idosos.
Para reduzir a chance de que haja movimentação deve-se conversar com o paciente, verificar um posicionamento confortável e se utilizar de métodos de imobilização como pesos e "tiras" de restrição.

Respiração, deglutição e peristalse

Para reduzir a chance de que haja estes tipos de artefatos deve-se conversar com o paciente e explicar o procedimento.
Para artefatos de respiração pode-se utilizar trigger respiratório, que é um dispositivo da RM que permite adquirir as imagens em apenas uma fase do ciclo respiratório (ex: expiração), o que diminui a intensidade dos artefatos.
Para artefatos de peristaltismo pode-se utilizar buscopan, que tem como função diminuir o peristaltismo intestinal
Uma solução paliativa caso os artefatos não possam ser evitados é mudar a direção de fase, fazendo com que o artefato mude de direção e não "caia" no local de estudo.

Batimentos cardíacos e fluxo sanguíneo

Para minimizar este tipo de artefato, pode-se mudar a direção de fase (o que muda a direção dos artefatos), ou se utilizar uma banda de saturação no coração, o que suprime o sinal do mesmo e logo, diminui a incidência de artefatos.

bat card 1

Figura 1: Artefatos de batimento cardíaco se projetando na região do esterno. Observe que a direção de fase, e logo, dos artefatos está em sentido ântero-posterior. Mudando a direção de fase para látero-lateral faria com que os artefatos se projetassem nas axilas e não sobre o esterno.

bat card 2


Figura 2: A adição de uma banda de saturação (ilustrada em preto transparente) diminui os artefatos de batimento, pois suprime o sinal de RM nesta região.


Fluxo liquórico


O artefato de fluxo liquórico se manifesta através de imagens serpiginosas no interior do canal vertebral.

Para minimizar este tipo de artefato deve-se aumentar a matriz da sequência.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Artefatos de Imagem em RM

Artefatos de imagem em RM


É importante conhecer os diversos tipos de artefatos de imagem, pois os mesmos reduzem a qualidade das imagens e podem simular uma lesão

Para se obter um exame padrão, livre de artefatos deve-se conhecer, evitar e corrigir os mesmos

Os principais tipos de artefatos são:

Artefatos de movimento
Artefatos por erro de protocolo
Artefatos de truncagem
Artefatos de desvio químico
Artefatos de susceptibilidade magnética
Artefatos especiais

domingo, 11 de janeiro de 2009

RM do Ombro - Braço em Rotação Externa

RM do Ombro - Braço em Rotação Externa

Ao realizar uma Ressonância Magnética do Ombro, o braço deve ser posicionado em rotação externa (palma da mão para cima).

Este posicionamento permite uma melhor avaliação do lábio glenoidal e do tendão do bíceps.

A dica para saber se o braço está ou não em rotação externa é olhar para a imagem axial (seja ela scout ou não) e prestar atenção no sulco bicipital. O sulco deve estar voltado para fora e não para dentro.

Imagem3

Figura 1: Imagem axial T2FS com o braço em rotação interna. Observe o sulco bicipital voltado para dentro, “olhando” para a direita neste ombro esquerdo.
Figura 2: Imagem axial T2FS com o braço em posição adequada (rotação externa). Observe o sulco bicipital voltado para fora, “olhando” para a esquerda neste ombro esquerdo.