sábado, 9 de julho de 2011

Protrusão acetabular

Protrusão acetabular


A protrusão acetabular é caracterizada por um deslocamento intrapélvico da parede medial do acetábulo (1).
Na radiografia simples, é definida como um deslocamento medial da linha acetabular, de forma que a distância entre essa linha e a linha ilioisquiática localizada lateralmente seja 3 mm ou mais em homens adultos e 6 mm ou mais em mulheres adultas (1-3).
O posicionamento correto da radiografia de bacia é fundamental para que as medidas de protrusão acetabular sejam corretas. À medida que a inclinação pélvica aumenta, as medidas usadas para o diagnóstico de protrusão se tornam não confiáveis (3).

prot 1
Rx normal

Na RM, a protrusão acetabular é melhor avaliada em uma imagem axial no nível da espinha isquiática. Aqui, mede-se a distância entre o ponto mais medial da fossa acetabular e uma linha perpendicular ao eixo horizontal e que passa pela margem lateral da parede pélvica interna posterior. Para homens o valor normal é 1,3 mm (DP = 2,5 mm) e em mulheres -0,8 mm (DP = 1,9 mm) (2).

prot 1.0001prot 2.0001prot 3.0001
prot 5
Pac. Fem. 83anos. Dor na virilha há 3 anos.

A protrusão acetabular pode ser encontrada em várias desordens ósseas como na artropatia degenerativa, doença de Paget, artrite reumatóide, espondilite anquilosante, osteomalácia, doença de Marfan ou como consequência de radioterapia (1).

A protrusão acetabular que aparece na ausência de qualquer causa reconhecível é definida como protrusão acetabular primária ou pelve de Otto. A protrusão acetabular primária geralmente acomete ambos os quadris, em mulheres joves ou de meia idade, com uma história de diminuição da abdução e rotação do quadril e dor desde a puberdade. Ao raio-X pode-se observar migração axial bilateral da cabeça femoral, sem redução do espaço articular e com alterações degenerativas moderadas (1).

Bibliografia
1. Bontrager K.L. LJP. Tratado de Posicionamento Radiográfico e Anatomia Associada. 6 Edição ed. Rio de Janeiro: Elselvier; 2006.
2. Kindynis P, Garcia J. [Protrusio acetabuli. An update on the primary and secondary acetabular protrusion]. J Radiol. 1990 Jun-Jul;71(6-7):415-24.
3. Chen L, Boonthathip M, Cardoso F, Clopton P, Resnick D. Acetabulum protrusio and center edge angle: new MR-imaging measurement criteria--a correlative study with measurement derived from conventional radiography. Skeletal Radiol. 2009 Feb;38(2):123-9.
4. Richards PJ, Pattison JM, Belcher J, Decann RW, Anderson S, Wynn-Jones C. A new tilt on pelvic radiographs: a pilot study. Skeletal Radiol. 2009 Feb;38(2):113-22.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Contra-indicações à Tomografia Computadorizada

Contra-indicações à Tomografia Computadorizada

As contra-indicações à Tomografia Computadorizada podem ser divididas em contra-indicações relacionadas ao equipamento de TC e contra-indicações relacionadas ao uso de meio de contraste iodado.


As contra-indicações relacionadas ao equipamento de TC são:


1. Pacientes claustrofóbicos

Hoje em dia, os exames de TC são extremamente rápidos (feitos em poucos minutos), o que diminuiu consideravelmente o número de pacientes claustrofóbicos que não conseguem realizar o exame. A alternativa para esses pacientes é realizar exame sob sedação ou anestesia.

2. Pacientes obesos
Pacientes obesos podem não conseguir realizar o exame em duas situações:
a) Sua circunferência abdominal é maior do que a abertura do equipamento de TC (raro de acontecer).
b) O seu peso está acima do limite permitido pelos equipamentos. De forma geral, o limite de peso permitido varia de 160 a 200 Kg. Entretanto, isso varia de equipamento para equipamento. Portanto, deve-se consultar a clínica ou Hospital sobre qual o limite de peso permitido.


As contra-indicações relacionadas ao uso de meio de contraste iodado são mais complexas e são abordadas nos tópicos subsequentes.

domingo, 3 de julho de 2011

Hipertireoidismo e contraste iodado

Pacientes com hipertiroidismo (doença de Graves) ou bócio multinodular com autonomia da tireóide (especialmente aqueles que vivem em áreas deficientes de iodo) podem desenvolver tireotoxicose tardia provocada pelo iodo livre do contraste iodado (1) administrado em exames de Rx contrastado ou Tomografia Computadorizada.

17067
http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/images/ency/fullsize/17067.jpg

h9991416_001
https://myhealth.alberta.ca/Pages/default.aspx
Goiter = bócio

Este efeito pode aparecer 4 a 6 semanas após a injeção intravascular do contraste em alguns pacientes (2).
Isto pode acontecer tanto com qualquer meio de contraste iodado, e geralmente é auto-limitado (2).
A tireotoxicose induzida por contraste iodado é rara (1).

Pacientes com função tiroideana normal não apresentam risco aumentado de desenvolvimento de tirotoxicose. Nesses pacientes, a tireotoxicose induzida por contraste iodado é extremamente rara (1). Nessa subpopulação, não há necessidade de se avaliar a função ou a morfologia tireoideana antes da injeção de contraste iodado endovenoso. Logo, o exame pode ser realizado sem nenhuma recomendação especial (1).

Em pacientes com hipertireoidismo manifesto, a administração de contraste iodado é contra-indicada (1).

Pacientes com doença de Graves ou bócio multinodular e autonomia da tireóide, especialmente se idosos ou que vivam em áreas com deficiência de iodo na dieta são considerados de alto risco (1). Nesses pacientes, é desejável conhecer a função tireoideana antes da injeção do contraste iodado. Todos os pacientes de alto risco devem ser monitorados de perto após a injeção de contraste, preferencialmente por um endocrinologista (1).
Um grupo seleto de pacientes de alto risco pode se beneficiar de terapia tireostática profilática (1).

Para pacientes com hipertireoidismo manifesto ou que apresentem alto risco, a possibilidade de se realizar exame sem contraste iodado ou outro exame alternativo (ex: Ressonância Magnética) deve ser considerada (1).

O meio de contraste iodado interfere tanto na Cintilografia óssea quanto no tratamento radioterápico com iodo. A redução da captação do marcador radioativo se dá, provavelmente, devido à quantidade de iodo inorgânico livre presente na solução de contraste (1).
A Cintilografia não deve ser realizada antes de 2 meses após a administração endovenosa de meio de contraste iodado. Também deve haver intervalo de 2 meses entre a administração endovenosa de meio de contraste iodado e tratamento radioterápico com iodo (I131) (1).

Bibliografia:

1. van der Molen AJ, Thomsen HS, Morcos SK. Effect of iodinated contrast media on thyroid function in adults. Eur Radiol. 2004 May;14(5):902-7.
2. ACR Manual on Contrast Media. Version 7. 2010.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cirurgia bariátrica e Ressonância Magnética


De forma geral, as cirurgias bariátricas não envolvem a implantação de materiais sabidamente ferro-magnéticos. Portanto, de forma geral, é seguro realizar-se uma RM em paciente com cirurgia bariátrica.
Entretanto, como existem diversas técnicas cirúrgicas e novas técnicas surgem com o tempo, é preciso cautela nesse quesito.

Segue link sobre cirurgia bariátrica:

http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/pacientes_acompanhantes/nucleo_nota_obesidade/cirurgia_bariatrica/cirurgia_bariatrica.asp

terça-feira, 17 de agosto de 2010

RM da Mão: Rizoartrose

RM de mão com HD: de rizoartrose e queixa clínica de dor na região da articulação entre o trapézio e o primeiro metacarpo.
Nesses casos, o ideal é fazer RM de punho, já que a articulação entre o trapézio e o primeiro metacarpo (onde acontece a rizoartrose), fica mais próxima do punho do que dos dedos propriamente ditos.

mao 2010 08 17 1mao 2010 08 17 2mao 2010 08 17 3
Figura: A), B) e C) Imagens coronais T1, T2FS e T1FS pós contraste da mão, demonstrando alteração ao nível da articulação entre o trapézio e o primeiro metacarpo. Nesses casos, o ideal é fazer RM de punho e não mão.

RM da Coxa

RM da Coxa

Pedido médico: RM da Coxa Direita
HD: Lesão dos adutores
Queixa clínica: Dor na coxa direita há 2 meses. Suspeita de estiramento dos adutores.
Como fazer o exame?

Nesse caso, o ideal é posicionar a bobina mais para a região proximal das coxas, visto que os adutores se localizam nessa topografia.
Os cortes axiais devem ser programados, de forma a cobrir toda a extensão desses músculos (porção proximal da coxa). Evitar fazer cortes axiais no "meio" da coxa, pois dessa forma, não se avaliará os adutores.

Exemplo de programação correta/errada:

coxa 2010 08 17 1 coxa 2010 08 17 2 coxa 2010 08 17 3 coxa 2010 08 17 5 coxa 2010 08 17 4 coxa 2010 08 17 6
Figura: A) e B) Imagens coronais T1 e STIR das coxas. Para a avaliação dos adutores (círculos), é interessante que a bobina seja posicionada mais para cima, para se evitar artefatos. C) Imagem coronal T1 mostrando programação de rotina dos cortes axiais. D) e E) Imagens inicial e final da programação de rotina dos cortes. Veja que para se avaliar os adutores, é necessário que os cortes axiais sejam programados mais para cima, na raíz da coxa. Vide imagem F).

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TC da hemipelve direita

Pedido médico: TC da hemipelve direita
Médico solicitante: Ortopedista
HD: PO de tumor de sacro, cóccix e pelve

Devemos fazer TC de Pelve ou de Bacia?

Nesse caso, o mais provável é que se queira estudar se existe recidiva ou remanescente do tumor operado.
Como o tumor é do osso (sacro e cóccix), o ideal é faze TC de bacia sem e com contraste.